Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o Brasil pode levar de 17 a 30 anos para compensar o déficit de produtividade decorrente de uma eventual redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas. A pesquisa, divulgada nesta segunda-feira (31), analisa os impactos econômicos dessa mudança, considerando a manutenção de empregos e salários.
A projeção indica que, caso as empresas absorvam a redução de horas trabalhadas, a eficiência por hora precisaria aumentar entre 8,3% e 8,5%. Atualmente, o Brasil apresenta um crescimento médio de produtividade de apenas 0,5% ao ano, o que, se mantido, levaria cerca de 17 anos para atingir o ganho necessário. No entanto, com a média dos últimos seis anos em 0,28%, esse prazo pode se estender para até 30 anos.
Ricardo Alban, presidente da CNI, destaca que a produtividade é essencial para a competitividade das empresas. “Não existe país que sustente sua competitividade sem produtividade”, afirma. Ele ressalta que a redução da jornada de trabalho deve ser analisada em conjunto com fatores como tecnologia, qualificação profissional e inovação.
O estudo também aponta que a necessidade de aumento de produtividade varia entre setores. Por exemplo, a agropecuária precisaria de um incremento de até 13,6%, enquanto a indústria extrativa exigiria um aumento de 10,4%. Já no comércio, esse ganho seria de 10,6%.
Além disso, o estudo simula três cenários de adaptação das empresas à nova jornada. No cenário de rejeição, onde as empresas não absorvem os custos, o número de empregos formais poderia cair drasticamente, de 41 milhões para 18,9 milhões. No cenário de acomodação, a massa salarial poderia diminuir entre 2,9% e 6%, resultando em perdas significativas para os trabalhadores.
Os dados indicam que a jornada de trabalho é um tema central em 81,5% dos acordos coletivos analisados, refletindo a importância da negociação coletiva na definição das condições de trabalho e seus impactos econômicos.