segunda-feira, 14 de setembro de 2026
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Brasil pode levar até 30 anos para compensar redução da jornada de trabalho, aponta CNI

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Brasil pode levar até 30 anos para compensar redução da jornada de trabalho, aponta CNI
Brasil pode levar até 30 anos para compensar redução da jornada de trabalho, aponta CNI

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o Brasil pode levar de 17 a 30 anos para compensar o déficit de produtividade decorrente de uma eventual redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas. A pesquisa, divulgada nesta segunda-feira (31), analisa os impactos econômicos dessa mudança, considerando a manutenção de empregos e salários.

A projeção indica que, caso as empresas absorvam a redução de horas trabalhadas, a eficiência por hora precisaria aumentar entre 8,3% e 8,5%. Atualmente, o Brasil apresenta um crescimento médio de produtividade de apenas 0,5% ao ano, o que, se mantido, levaria cerca de 17 anos para atingir o ganho necessário. No entanto, com a média dos últimos seis anos em 0,28%, esse prazo pode se estender para até 30 anos.

Ricardo Alban, presidente da CNI, destaca que a produtividade é essencial para a competitividade das empresas. “Não existe país que sustente sua competitividade sem produtividade”, afirma. Ele ressalta que a redução da jornada de trabalho deve ser analisada em conjunto com fatores como tecnologia, qualificação profissional e inovação.

O estudo também aponta que a necessidade de aumento de produtividade varia entre setores. Por exemplo, a agropecuária precisaria de um incremento de até 13,6%, enquanto a indústria extrativa exigiria um aumento de 10,4%. Já no comércio, esse ganho seria de 10,6%.

Além disso, o estudo simula três cenários de adaptação das empresas à nova jornada. No cenário de rejeição, onde as empresas não absorvem os custos, o número de empregos formais poderia cair drasticamente, de 41 milhões para 18,9 milhões. No cenário de acomodação, a massa salarial poderia diminuir entre 2,9% e 6%, resultando em perdas significativas para os trabalhadores.

Os dados indicam que a jornada de trabalho é um tema central em 81,5% dos acordos coletivos analisados, refletindo a importância da negociação coletiva na definição das condições de trabalho e seus impactos econômicos.

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