A Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB) promoveu, nesta sexta-feira (24), a roda de conversa “Enfrentamento às Violações dos Direitos das Mulheres Negras: O Papel do Estado e da Sociedade Civil”. O evento integrou a 14ª edição do Julho das Pretas, agenda nacional que valoriza a atuação das mulheres negras e reforça a luta por igualdade racial e justiça social.
A programação contou com apresentação cultural da artista Suely Sousa, de Itabaiana, e mesa institucional com a defensora pública-geral Madalena Abrantes, a coordenadora do Nudem, Monaliza Montinegro, e o coordenador da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial, Denis Torres.
Madalena Abrantes destacou a importância do diálogo permanente entre a Defensoria e os movimentos sociais. “A Defensoria tem o compromisso de garantir que os direitos cheguem a quem mais precisa. Promover este diálogo com os movimentos sociais fortalece nossa atuação, amplia a escuta e nos ajuda a construir respostas mais efetivas para enfrentar as desigualdades que atingem, de forma histórica, as mulheres negras”, afirmou.
Monaliza Montinegro ressaltou que o encontro representa um espaço de construção coletiva. “Queremos fortalecer pontes, tanto dentro da Defensoria quanto com os movimentos sociais, para ouvir quem vivencia essas violações e, a partir desse diálogo, aprimorar nossa atuação”, disse.
A mesa de debates reuniu representantes da DPE-PB, da UFPB e de movimentos sociais. A professora Luz Santos destacou a interlocução entre poder público e movimentos sociais. “Quando o poder público se coloca em diálogo com os movimentos sociais, isso representa uma interlocução de forças e um apoio para que o campo do direito dialogue com as necessidades das lutas da população negra, quilombola e indígena”, afirmou.
A psicóloga Hildevânia Macêdo alertou para as diferentes formas de violência contra a mulher. “Quantas vezes eu escuto mulheres dizendo: ‘Ele só me bateu uma vez’. Mas, antes dessa agressão física, ele já vinha praticando violência psicológica”, disse. A defensora Lorena Cordeiro abordou o racismo estrutural e a violência simbólica. “Existem práticas cristalizadas na estrutura da sociedade que afetam a forma como as pessoas enxergam as pessoas negras”, explicou.
A líder quilombola Luciene Tavares destacou que as mulheres negras permanecem nos maiores índices de violência e desigualdade social. “Para construir o bem viver que queremos, é preciso garantir educação de qualidade, saúde de qualidade e políticas sociais de qualidade. Este diálogo na Defensoria é importante para que as políticas públicas de reparação e inclusão sejam efetivadas”, afirmou.
A roda de conversa foi promovida pela DPE-PB, por meio do Nudem e da Coordenadoria de Combate ao Racismo, em parceria com a Marcha da Negritude Unificada e o Movimento de Mulheres Negras da Paraíba, com apoio da Escola Superior da DPE-PB.