sábado, 22 de agosto de 2026
Postado emParaíba, Política

Defensoria realiza roda de conversa sobre direitos das mulheres negras na Paraíba

Defensoria realiza roda de conversa sobre direitos das mulheres negras na Paraíba
Defensoria realiza roda de conversa sobre direitos das mulheres negras na Paraíba
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A Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB) promoveu, nesta sexta-feira (24), a roda de conversa “Enfrentamento às Violações dos Direitos das Mulheres Negras: O Papel do Estado e da Sociedade Civil”. O evento integrou a 14ª edição do Julho das Pretas, agenda nacional que valoriza a atuação das mulheres negras e reforça a luta por igualdade racial e justiça social.

A programação contou com apresentação cultural da artista Suely Sousa, de Itabaiana, e mesa institucional com a defensora pública-geral Madalena Abrantes, a coordenadora do Nudem, Monaliza Montinegro, e o coordenador da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial, Denis Torres.

Madalena Abrantes destacou a importância do diálogo permanente entre a Defensoria e os movimentos sociais. “A Defensoria tem o compromisso de garantir que os direitos cheguem a quem mais precisa. Promover este diálogo com os movimentos sociais fortalece nossa atuação, amplia a escuta e nos ajuda a construir respostas mais efetivas para enfrentar as desigualdades que atingem, de forma histórica, as mulheres negras”, afirmou.

Monaliza Montinegro ressaltou que o encontro representa um espaço de construção coletiva. “Queremos fortalecer pontes, tanto dentro da Defensoria quanto com os movimentos sociais, para ouvir quem vivencia essas violações e, a partir desse diálogo, aprimorar nossa atuação”, disse.

A mesa de debates reuniu representantes da DPE-PB, da UFPB e de movimentos sociais. A professora Luz Santos destacou a interlocução entre poder público e movimentos sociais. “Quando o poder público se coloca em diálogo com os movimentos sociais, isso representa uma interlocução de forças e um apoio para que o campo do direito dialogue com as necessidades das lutas da população negra, quilombola e indígena”, afirmou.

A psicóloga Hildevânia Macêdo alertou para as diferentes formas de violência contra a mulher. “Quantas vezes eu escuto mulheres dizendo: ‘Ele só me bateu uma vez’. Mas, antes dessa agressão física, ele já vinha praticando violência psicológica”, disse. A defensora Lorena Cordeiro abordou o racismo estrutural e a violência simbólica. “Existem práticas cristalizadas na estrutura da sociedade que afetam a forma como as pessoas enxergam as pessoas negras”, explicou.

A líder quilombola Luciene Tavares destacou que as mulheres negras permanecem nos maiores índices de violência e desigualdade social. “Para construir o bem viver que queremos, é preciso garantir educação de qualidade, saúde de qualidade e políticas sociais de qualidade. Este diálogo na Defensoria é importante para que as políticas públicas de reparação e inclusão sejam efetivadas”, afirmou.

A roda de conversa foi promovida pela DPE-PB, por meio do Nudem e da Coordenadoria de Combate ao Racismo, em parceria com a Marcha da Negritude Unificada e o Movimento de Mulheres Negras da Paraíba, com apoio da Escola Superior da DPE-PB.

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